Ibitinga, Sexta, 16 de Novembro de 2018
Santa Casa tem R$ 22 milhões em dívidas, diz interventora
Dívidas com fornecedores e dívidas trabalhistas somam grande parte do montante. Antes de 2013, o total era de R$ 21,3 milhões, destacou a interventora, que informou que agora, o hospital oper

A Santa Casa de Caridade e Maternidade de Ibitinga possui R$ 22 milhões de dívidas, até o último dia 31 de outubro deste ano, segundo relatório realizado pelo departamento jurídico da entidade, e entregue ao Poder Judiciário, que avalia o processo de intervenção judicial da entidade. Segundo a interventora do hospital, Ana Paula Reis Céu, um trabalho foi feito para reorganizar dados contábeis, que não tinham sido diagnosticados antes no início da gestão da administração 2013 / 2016.

   De acordo com o relatório, em 2013, a atual administração acreditava, depois de um levantamento prévio, que a dívida era de R$ 13,3 milhões, mas o reconhecimento de dívidas trabalhistas, dívidas de processos trabalhistas, INSS, FGTS, entre outros, incluídos neste último levantamento, a dívida chegou a soma R$ 21,3, milhões, até 31/12/2012. “Dentro desses R$ 21 milhões, cerca de R$ 7 milhões são referentes a 18 processos trabalhistas com data de antes de 2012, mas não tinham sidos contabilizados em 2013”, explicou o advogado, Dr. Paulo Eduardo Pinezzi. Pra agravar a situação, a entidade não recebeu repasses de convênios estaduais nos anos de 2013 e 2014 e parte do primeiro semestre de 2015, que estavam sendo esperados, e que contribuiu para o atual cenário econômico da entidade, diz Pinezzi.  Ainda, cerca de R$ 2 milhões foram pagos em dívidas referentes a gestão anterior.

  Dos R$ 22 milhões em dívidas, Ana Paula relata que R$ 2.999.904,35 foram contraídas na gestão atual, sendo R$ 1,3 de tributos, R$ 1,3 de parcelamento de tributos, e R$ 298 mil com fornecedores. Outros R$ 6 mil são referentes a dívidas trabalhistas. Segundo Ana Paula, se os repasses tivessem ocorridos corretamente e habitualmente, a atual dívida do hospital teria sido reduzida em R$ 910 mil, aproximadamente.

 Atualmente um total R$ 2.098.321, 21, estão em créditos a serem recebidos, de convênios que estão em atrasos.

Financeiramente viável

       Na quarta-feira 28, a interventora da Santa Casa relatou em entrevista ao Jornal Folha de Ibitinga, que atualmente, a Santa Casa é financeiramente viável. Segundo ela, convênios com o Governo Estadual permitem que o hospital possa trabalhar 'no azul'. Segundo Ana Paula, a entidade terá mensalmente, por mais três anos, dois repasses do Governo do Estado; um de R$ 63 mil, e outro de R$ 250 mil. O custeio de R$ 100 mil reais da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), também ajudará a equilibrar as contas. Com o total de R$ 413 mil / mês, mais a receita oriunda do SUS (Sistema Único de Saúde) a interventora acredita que o processo de intervenção judicial “poderá ser encerrada a intervenção e mantida a Entidade em funcionamento, em curto prazo de tempo”, diz o relatório, que também foi entregue para a justiça.

Fim da Intervenção Judicial

  O Ministério Público (MP) de Ibitinga pede o fim da intervenção na justiça, alegando que a intervenção judicial deve ser algo temporário, e não algo definitivo. Em setembro deste ano, uma reunião entre representantes do MP, o prefeito Florisvaldo Fiorentino e a administração do hospital, já acertava o fim da intervenção neste dia 31 de dezembro, mas depois das eleições municipais em outubro, uma nova reunião com a futura prefeita, celebrou um prazo de 180 dias, a contar a partir do próximo dia 1º, para o fim da intervenção. Em entrevista a este veículo, o promotor Dr. André Orlando Gândara, relatou que “ou a administração da Santa Casa se torna algo particular, ou se torna uma administração pública”, explicou o promotor, em outubro, lembrando que a intervenção judicial deveria ser algo temporário, mas passou a ser algo definitivo.

Hospital Particular

 Para Ana Paula Reis Céu, é inviável 'municipalizar' a entidade, devido aos 230 funcionários que o hospital possui. Já uma administração particular, como acontecia nos tempos antes da intervenção, por uma associação, seria o mais provável para manter o hospital em funcionamento.

 Futuro do Hospital

  Procurados, os assessores da prefeita Cristina Arantes se manifestaram sobre a questão da dívida da Santa Casa, e sobre o processo de intervenção.

   O vice-prefeito Frauzo Sanches informou que a futura administração já teve acesso a informações preliminares, mas a certeza dos dados só terá mesmo no momento que a nova administração assumir.

   Sobre a nova diretoria do hospital, o vice-prefeito informou que ainda está sendo definido o nome do novo interventor, e que para tal nomeação é preciso esperar o final do recesso do Poder Judiciário. Ainda, Frauzo frisou que o futuro da administração daquela entidade deve ser apontada pela prefeitura, mas só se concretiza se aceito pelo juiz que avalia o caso. Antes de instalar a nova administração, Frauzo garantiu que irá receber apoio de toda a classe médica e de profissionais médicos para gerir a entidade, até a instalação da administração interventora, e até lá, o titular do município (a prefeita) é quem deve administrar o hospital.

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