Ibitinga, Quarta, 19 de Setembro de 2018
Cultura do eucalipto: rentabilidade está em queda desde 2015
Crise econômica afetou todos os produtos madeireiros do extrativismo vegetal, segundo análise do Sindicato Rural de Ibitinga

   O cultivo de eucalipto nacional não tem apresentado um cenário econômico muito favorável aos produtores rurais. Os preços baixos praticados no mercado, na madeira para energia, comprometem a receita bruta do produtor e tornam a atividade não atrativa economicamente. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor da produção da extração vegetal e da silvicultura no país, em 2015, atingiu R$ 18,4 bilhões, total inferior aos R$ 19,2 bilhões de 2014. A informação consta da pesquisa Produção da Extração Vegetal e Silvicultura (Pevs) 2015.

   Os números indicam que destes R$ 18,4 bilhões, a silvicultura, atividade diretamente ligada à regeneração e plantação de florestas, respondeu por 74,3% da produção, o equivalente a R$ 13,7 bilhões; enquanto o restante está ligado diretamente à extração vegetal (coleta de produtos em matas e florestas nativas) participando com 25,7% (R$ 4,7 bilhões).

  Apesar de registrar uma ligeira queda no faturamento em relação a 2014, quando os produtos florestais acusaram valor da produção de R$ 19,2 bilhões, o setor florestal, em especial a produção obtida em florestas plantadas, vem, assumindo uma posição de destaque no cenário nacional nos últimos anos, segundo o IBGE.

  Em Ibitinga (SP), o proprietário do sitio Jequitibá, Antônio Carlos Sarmiento, que trabalha com a cultura de eucalipto há oito anos, sentiu o impacto dessa queda. “O eucalipto sempre me trouxe benefícios, porém, sua rentabilidade diminuiu muito a partir de 2015”, avaliou. Segundo o produtor, houve ligeira melhora no final do ano passado, quando conseguiu vender por R$ 48,00 o metro cúbico para lenha, que havia sido vendido anteriormente por R$35,00 o metro cúbico para carvão.

   De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mesmo com esse cenário, o setor tem potencial de crescimento e competitividade, já que o país possui boas condições de clima, de solo e extensão de terras com aptidão florestal.

  “Para muitos produtores rurais o ano de 2016 foi bastante difícil, em relação à cultura do eucalipto. Muitos conseguiram se manter desenvolvendo outras culturas. O segredo é amor pelo plantio”, concluiu Sarmiento.

Crise Econômica

   A crise econômica afetou todos os produtos madeireiros do extrativismo vegetal em 2015 e se estendeu com impactos negativos ainda sendo sentidos em 2016, com decréscimo generalizado na quantidade obtida, tendo à frente o carvão vegetal, cuja retração foi de 21,9%; seguido da lenha (-6,8%); da madeira em tora, principalmente para a exportação (-3,2%); e o nó-de-pinho (-55,3%). O número de árvores abatidas do pinheiro brasileiro nativo caiu 40%.

   A demanda industrial, o preço, a disponibilidade de mão de obra na coleta de determinados produtos e a atuação de órgãos de controle ambiental e fiscalizadores – que ora liberam abertura de áreas para a agricultura, ora intensificam a fiscalização (aplicando multas e fechando serrarias e carvoarias) –, bem como as condições climáticas, são fatores que explicam em boa parte as oscilações da produção do extrativismo vegetal. Segundo estudo do IBGE, nessa atividade é comum serem observadas flutuações expressivas da produção.

 

O Eucalipto

  De origem grega, eucalipto significa bem coberto. A planta foi descoberta na Austrália e Indonésia e é de fácil adaptação climática, principalmente em locais mais quentes. Dividido em categorias, existem mais de 700 espécies diferentes de eucalipto espalhadas pelo mundo, mas que pertencem à mesma família das mirtáceas. Em geral cresce em formato de árvore, apenas algumas espécies nativas da Oceania crescem como arbustos, e leva entre 6 a 10 anos para chegar à idade adulta, quando pode ser utilizado para fins comerciais. Está entre as árvores mais recomendadas para o cultivo comercial por se desenvolver em razoável período de tempo, comparado a outras árvores.

  O período para que a plantação de eucalipto esteja pronta para fins comerciais pode variar em razão de inúmeros fatores, como clima, categoria de eucalipto utilizada, forma de plantio e cuidados. O cultivo é um negócio de custo intermediário, pois o eucalipto se adapta ao clima e ao solo, dispensando manutenção, adição de materiais orgânicos ou demais substâncias para estimular o crescimento. O maior custo é o da plantação.

  Os eucaliptos não podem ser plantados muito próximos um do outro, pois isso atrapalha as podas, o corte e também prejudica o crescimento das plantas. Se a finalidade for a Faqueação e Laminação, o ideal é respeitar a distância de 3 metros entre as árvores, pois a tendência é que recebam mais nutrientes do solo e possam se desenvolver melhor. Se for usado para lenha ou carvão, a distância pode ser de 2 metros.

  Apesar de se adaptar com facilidade a todas as regiões e climas, se for escolhida uma muda ideal ao local do plantio, as plantas se desenvolverão ainda mais saudáveis e em menor tempo. A recomendação é plantar nos períodos mais chuvosos do ano, pois nesta fase as mudas precisam de um solo mais úmido para se firmarem e desenvolverem, o que reduz as perdas de árvores por morte da raiz.

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