Ibitinga, Sexta, 19 de Outubro de 2018
Setembro Amarelo: Campanha nacional de prevenção abre discussão sobre o suicídio
Psicóloga explica como identificar sintomas para um problema que atinge 8 a cada 100 mil habitantes. Homens são as maiores vítimas; álcool, drogas e depressão podem ser a 'gota d'águ

  Setembro é o mês de prevenção ao suicídio. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o 8º país com mais mortes por suicídio. Em 2012, por exemplo, foram registradas 11.821 mortes, sendo 9.198 homens e 2.623 mulheres. Durante este mês, acontece em todo o mundo, ações de prevenção ao suicídio, intitulado como 'Setembro Amarelo'.  A campanha foi criada em 2014 e acontece em todo o país. No dia 10 de setembro, é celebrado o 'Dia Mundial de Prevenção do Suicídio'.

   O Mapa da Violência de 2014 (levantamento mais recente) aponta que a taxa de suicídios só é menor apenas para a de homicídios e acidentes de trânsito entre as mortes por fatores externos. Segundo a pesquisa, houve uma alta de 15,3% entre mortes de jovens e adolescentes no Brasil, entre 2002 e 2012 (período em que os dados foram recolhidos). O aumento tem sido registrado em todas as faixas etárias, sendo a de idosos com o maior número: 8 mortes para cada 100 mil habitantes.

   Sobre a questão, que também atinge Ibitinga, a psicóloga Rosa Maria Custódio Garcia, explicou sobre os 'dispositivos' que podem desencadear o suicídio. O alerta é que as pessoas possam observar indícios em seus familiares.

Folha de Ibitinga: Quais são as principais causas que levam as pessoas a cometer suicídio?

Rosa: As causas mais comuns são; os transtornos mentais, o que podem incluir a depressão, o transtorno bipolar, a esquizofrenia, uso e abuso de álcool e também de drogas. Dificuldades financeiras e / ou emocionais também desempenham um fator significativo.

Folha de Ibitinga: Como podemos identificar comportamentos suicidas?

Rosa: Os quatro sentimentos principais presentes na pessoa que tenta ou comete suicídio são: tristeza profunda, isolamento, desamparo, desespero, e desesperança em relação ao futuro e a própria vida. Falta de amor e fé também estão presentes, pois é só com amor e fé que somos capazes de entender as adversidades da vida. Só eles nos ensinam a tolerância e a buscarmos em nossos semelhantes as suas virtudes, afinal, os defeitos são notados por qualquer ser humano.

Folha de Ibitinga: Qual o conselho que a família pode dar para um indivíduo que está com comportamento suicida?

Rosa: Quando se suspeita que alguém pode estar com pensamentos suicidas, o mais importante é demonstrar amor e empatia por esta pessoa, tentando entender o que está acontecendo e quais os sentimentos associados. Por isso não se deve ter medo de perguntar para a pessoa se ela está se sentindo triste, deprimida e até se está pensando em suicídio. Depois, deve-se procurar ajuda de profissional qualificado, como um psicólogo ou psiquiatra, para mostrar a pessoa que existem soluções para o seu problema, que não o suicídio. As tentativas de suicídio são na maioria das vezes impulsivas e, por isso, para prevenir uma tentativa de suicídio, também se deve retirar todo o material que possa ser utilizado para se suicidar, como armas, comprimidos ou facas, dos locais onde essa pessoa passa mais tempo. Isto evita comporta-mentos de impulsividade, fazendo com que se tenha mais tempo para pensar numa solução menos agressiva para os problemas.

Folha de Ibitinga: Considerações Finais...

Rosa: Nem sempre é possível curar ou resolver uma necessidade apresentada, mas sempre é possível cuidar, escutar e contribuir para amenizar o sofrimento do outro. Junto com alguém que sofre, sofrem os que amam. Por isso também é muito importante acionar a família, para que esta também participe da reabilitação da pessoa que deseja se suicidar. O suicida na verdade não quer se matar, mas, quer matar a sua dor.

 

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