Ibitinga, Quarta, 21 de Novembro de 2018
Prática de jejum intermitente tem consequências a longo prazo
Estudo aponta que o hábito de permanecer determinado tempo sem comer pode estar relacionado a doenças
Prática de jejum intermitente tem consequências a longo prazo

A prática do jejum intermitente como forma de redução de peso pode ter consequências a longo prazo ainda desconhecidas. Pesquisadores do Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP desenvolveram um estudo que foi apresentado no Congresso de Sociedade Européia de Endocrinologia. A pesquisa aponta para o risco do desenvolvimento de diabetes por aqueles praticantes do hábito.

   De acordo com Ana Cláudia Munhoz, mestre em Ciências pelo ICB, o jejum de 24 horas aumenta a produção de moléculas instáveis – os radicais livres – por uma proteína presente no pâncreas, o que pode trazer prejuízos para a célula. 

 Para o desenvolvimento da pesquisa, foi aplicado a ratos o método conhecido como 24/24, em que é praticado 24 horas de jejum. Foi observado, além do aumento dos radicais livres, um aumento da massa de gordura e do tamanho do estômago, diminuição da resposta à in-sulina nos tecidos periféricos e aumento da secreção da insulina, sintoma da resistência ao hormônio.

  Dentre as opções de métodos de jejum intermitente está também o ato de pular o café da manhã nas refeições diárias, mas, segundo Ana Cláudia, após um estudo desenvolvido durante nove anos com a participação de mais de 4 mil pessoas, foi concluído que esse hábito aumen-ta o risco de diabetes, obesidade e síndrome metabólica.

   Existem diversos protocolos que são adotados por quem se propõe a praticar essa forma de regime, como o alternate-day fasting, quando a alimentação é restrita em um dia e no outro é normal, e assim por diante; oevery-other-day fasting, com um jejum total em um dia, e, no dia seguinte, normal; a dieta do 5/2, na qual o jejum acontece apenas dois dias não-consecutivos na semana, entre outros. 

   Nesse sentido, a pesquisadora Ana ainda comenta sobre a ausência de estudos em humanos, a longo prazo. “Se concluirmos que existem mais efeitos benéficos do que prejuízos, tem que ser estudado qual o protocolo e horário da alimentação que seria mais vantajoso.” Até o momento, o estudo mostra que a prática do jejum pela manhã é mais prejudicial. (Jornal da USP)

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