Ibitinga, Segunda, 18 de Fevereiro de 2019
OLHA A XEPA

  Foram ao menos duas adaptações da peça teatral de Pedro Bloch, para telenovelas com o título “Dona Xepa”. A primeira exibida pela Globo, de 24 de maio a 24 de outubro de 1977 e foi escrita pelo Gilberto Braga e dirigida por Herval Rossano. A outra adaptação foi produzida pela Record, exibida entre 21 de maio a 24 de setembro de 2013 e foi escrita por Gustavo Reiz, com colaboradores e dirigida por Régis Faria, Rudi Lagemann, Nádia Bambirra e direção geral de Ivan Zettel.

   A “xepa” – como sabem – são os momentos de final de Ferias, onde os produtos já estão escasseando e sobrando os de má qualidade, ficando mais baratos por causa disso, são chamados “hora da xepa”; por buscar sempre essa hora para comprar os produtos mais baratos, a personagem da novela, Carlota tinha o apelido de Dona Xepa.

   Na Record Ângela Leal interpretou a personagem principal, Xepa, uma mulher batalhadora e sofrida que trabalha na feira de hortifrúti diariamente para sustentar seus dois filhos.

   Quando estudante, morando em São Paulo, nossa república, que na verdade era um Grande República, recebia, em frente ao prédio, o Jurucê, uma grande Feira, que não se resumia só aos produtos hortifrúti. Tinha açougue e peixaria (hoje não sei como funciona isso, com tanta fiscalização). O bacana é que as carnes, qualquer delas, eram embrulhadas, “com muito cuidado”, em jornais, dos dias anteriores. Como disse o Coronel Golbery do Couto e Silva, jornal do dia anterior, só servia para embrulhar produtos na Feira, numa referência de que não se devia alimentar notícias, do dia, para o jornal do dia seguinte. É claro que depois do Dr. Google, internet, WhatsApp, Facebook, Twitter, tudo isso mudou, muito. Mudou e com muita maldade e mentiras. Não sei se evoluímos tanto assim. Acho que a moral e ética de muitos, precisam ser revisitadas, pelos próprios, interiormente e, no final de cada dia, olhar no espelho e perguntar: “O que fiz de bom para a humanidade hoje?” Cuidado, se o espelho resolver responder. Espelho, espelho meu....

   Bem, retornando ao Jurucê. Nós só fazíamos a xepa. Pela manhã íamos todos para o “cursinho” – era o Pré-Médico, na Consolação. Depois da aula, nossa ajudante doméstica, nos acompanhava na Feira, para fazermos nossas compras da semana, com dinheiro contado, curto. Nesse dia, nos fartávamos. Comprávamos produtos de boa qualidade, com preços muito reduzidos, com a ajuda dos amigos feirantes que já sabiam de nossa situação.

   Ainda ouvíamos as gracinhas dos feirantes, para senhoras e mocinhas: “Moça bonita não paga, mas, também não leva”. “Leve três, pague quatro”. “Olha o peixe fresco. Não é só o jeitão”. “Olha o limão, doce como a vida”. “Dona Maria olhe o abacaxi, doce como mel”. “Preço de ocasião”. “Olhe o pastel”. Enquanto alguns gritavam outros já iam desmontando as barracas, colocando em peruas Kombi, pequenos caminhões, para no outro dia, numa rotina que se repetia todos os dias, montar tudo de novo, noutro canto daquela metrópole. 

   Agora estamos na Xepa do Governo Temer. Gavetas já estão sendo esvaziadas. Com dor no coração, muitos deixarão as tetas que mamaram, sem trabalhar. É hora de montar a barraca noutro canto. Não se assustem! Muitos cargos ficarão, porque o Poder Público é uma máquina inchada, dilatada, sem limites para a ousadia de gastos. 

   Enquanto falta dinheiro para pagamentos essenciais, os nosso Parlamentares, pensam em aumentar gastos. O Senado aprovou (7/11), o que a Câmara já tinha feito em 2016, o aumento dos subsídios do Judiciário e da Procuradoria Geral da Justiça. Não que não mereçam ter seus salários valorizados. Claro – todos os trabalhadores têm esse direito. Eu, você (mas o nosso está difícil). O funcionalismo público, de modo geral, com exceção nos municípios, é bem remunerado. Pagam o Imposto de Renda, retido na fonte. Há distorções entre os vencimentos de funcionários do Judiciário, do Executivo e do Legislativo. Há problemas sérios com a Previdência Social.

   Não vivemos, aqui, em um oásis não. O Município é pobre. A legislação é antiquada, quando na tentativa de modernização, inclusive para fins arrecadatórios, com eficiência, justiça fiscal e fiscalização, emperram. O Poder Público Municipal – tanto um – quanto outro – gastam muito com pessoal. Dependemos de repasses (mas tem as contrapartidas). A Câmara Municipal, que está instalada em local acanhado (mas sempre foi acanhado – e aqui vale a máxima de um velho amigo – “Ibitinga tem mania de assar Peru no pires” – sempre fazem obras, em local acanhados, sem espaço para ampliação, sem estacionamento).

   É necessário que tenhamos plena consciência da Xepa. No começo tudo é caro e bonito. No final, as coisas vão ficando feias, mas, mais baratas, escassas. A Feira se remodela no outro dia, noutro canto. Os Poderes ficam, onde estão, por quatro anos e concorrerão (ou não), a reeleição, da qual sou contrário, para o Executivo, em todas as esferas do Poder, com mandato de cinco anos. É preciso remodelar o Poder e a Gestão.

   “Moça bonita não paga, mas, também não leva”.

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