Ibitinga, Terça, 23 de Julho de 2019
PRECISAMOS DE GONDOLAS

Veneza, capital do Vêneto, situada no nordeste da Itália, tem aproximadamente 60.000 habitantes e recebe 30 milhões de turistas, por ano.  É uma cidade encantadora. Transita-se nela através de barcos, lanchas e o passeio (caro pra dedéu), são as famosas Gôndolas e seus experientes gondoleiros. Há necessidade de ser um expert para tocar esse meio de transporte que conduz o turista a lugares maravilhosos, em curvas extremamente sinuosas, trabalho que não é para inexperientes.

A cidade de Veneza fica fora do continente e, por isso, carro na cidade não há. Anda-se a pé e os passeios pelos canais, podem – ser feitos com as Gôndolas.

Em meados de outubro de 2017, o então Prefeito de São Paulo, João Doria, deixou aqui o seu vice e atual Prefeito Bruno Covas (ambos do PSDB) e foi para Veneza (e é claro, não foi a primeira e nem a última vez que Doria deve ter feito o trecho) retribuir a visita que houvera recebido do Prefeito de lá, Luigi Brugnaro (sem partido), para assinar Convênios Culturais.

Eu escrevi, naquela época, num post no facebook, que Doria foi é verificar a melhor forma de navegar, nas enchentes de São Paulo.

No dia 10 de março, começo da madrugada e no dia 11, pudemos ver os grandes transtornos dos paulistanos e do ABCD (Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema), Embu, enfim, todo o entorno da capital de São Paulo. Isso não é a primeira vez e, com certeza, não será a última. Por isso, é recomendável, a aquisição de um bom barco, pode ser desses infláveis, para não ocupar muito espaço, para o próximo verão, porque isso vai se repetir. Ou moto aquática.

Na manhã do dia 11 de março João Doria vai para os canais de comunicação e disse que era Governador a apenas 70 e poucos dias e, estava fazendo o possível para atender a população. Esqueceu-se que foi Prefeito (daqueles outsider, empresário bem sucedido, riquíssimo e que renúncia ao cargo) e que viajou para Veneza. Mas conseguiu ver, na Grande São Paulo, não Gôndolas, mas barcos dos bombeiros e motos aquáticas, de particulares, helicópteros, em transporte frenético de pessoas ilhadas.

Viu-se, também, para nossa tristeza mortes (13). Morte de crianças 01 ano e de 09 anos. Qualquer morte é um drama, ainda que a morte seja certa. Mas essas mortes são verdadeiros homicídios. Pessoas perdem suas casas, seus bens, seu comércio, sua indústria. As desculpas são as mesmas. Choveu além do previsto. Choveu em 10 minutos o que era para chover no ano todo. Isso era improvável de acontecer. E assim vão as desculpas... E assim virão as chuvas do próximo verão e essas que caíram, segundo a música de Tom Jobim, cantada por Elis Regina, são só a “Águas de Março”, fechando o verão....

O Governo – mesmo que responda – como respondeu – que fez investimento, piscinões, etc... não investiu em prevenção de enchentes, como deveria tê-lo feito e, isso, não é de hoje. São décadas de desprezo por obras que ficam enterradas. O político quer fazer obras teatrais, estádios monumentais, além do aspecto do embelezamento que se procura, no mais das vezes, como vimos, houve o lado da corrupção e muitos estão na cadeia.

É certo que o gestor público tem sua culpa. Doutro lado, também, nós todos temos que assumir o mea culpa. É lixo que roda. É gente grande jogando cigarro, papel, latas, garrafas pet, enfim, nos tornamos verdadeiros degradadores do meio ambiente, como se vivêssemos em uma pocilga. A natureza responde com a mesma intensidade.

E a degradação ambiental, a impermeabilização do solo. Cadê nossos legisladores? Vamos aumentar o perímetro urbano? Vamos... e vamos fazer com que o Saltinho e o São Joaquim aguentem o volume excessivo d´água. Ah! Não vai acontecer nada. Não, aqui não... aliás, já acontece. 

Precisamos voltar a exigir mais espaços verdes na cidade, nas casas. O solo precisa escoar a água. Nós, ao contrário, impermeabilizamos. 

Vão numa pequena ponte, perto do SAMU na Eng. Ivanil Francischini, no dia de uma chuvica e já teremos o transbordo. Não fosse o Ivanil, Ibitinga seria o caos total no trânsito. Nosso trânsito é caótico. Já temos engarrafamentos em determinados horários e, se houver inundação, vamos parar. Zona Azul, Verde ou Amarela, resolve problema de estacionamento. Não resolve outros problemas.

Hoje temos o privilégio de dizer que estamos com a Dengue controlada. Poucos casos. É verdade. Uma grande ação da Prefeitura, do pessoal do Setor da Municipalidade e da população. Lembrem-se, todavia, que há um ciclo do mosquito e ele voltará. A luta é diária para que possamos viver num ambiente sadio, equilibrado e sustentável.

Vamos precisar – na parte mais baixa da cidade – muito brevemente – de avisos de emergência ou, quem sabe, logo, logo, trazermos os botes para a cidade.

Gôndolas só em Veneza. Mas como São Paulo, cada dia mais vive do turismo, quem sabe Covas e Doria (PSDB) não começam a fazer atracadouros.

 

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