Ibitinga, Terça, 23 de Julho de 2019
Dia do Citricultor

    Hoje, 08 de junho, é comemorado no Brasil o “Dia do Citricultor”. A data foi estabelecida em 1969 e relembra da importância do profissional que cuida das plantações e da produção das frutas cítricas que são a laranja, limão, lima, tangerina, cidra e muitas outras como o abacaxi e acerola.

Ricas em vitamina C, elas são fundamentais para fortalecer os ossos e cartilagens e o sistema imunológico. O consumo dessas frutas é recomendável em todas as idades.

    A história da citricultura, no Brasil, começa logo após a descoberta do Brasil, entre os anos de 1530 e 1540, com plantações de laranja doce, pelos portugueses, nos Estados da Bahia e São Paulo.

Essa nossa região viveu época áurea da citricultura. No final dos anos 70, do século passado, tive o grande prazer em conhecer e prestar serviços a Carl Fischer, Lily Fischer, Pedro Alberto Fischer e Carlos Guilherme Eduardo Fischer, de quem tenho grandes lembranças.

   Muitos eram os citricultores, naquela época, que vendiam as caixas de laranjas, para a Citrosuco e Cutrale. 

   A caixa era cotada em dólar. A terra, as mudas, pesticidas, mão de obra, eram na moeda nacional da época. Era época forte de expansão de exportação do nosso suco, onde o Brasil competia, soberanamente, com os Estados Unidos, grande consumidor. Bastava uma geada mais forte na Florida (EUA) para que o preço da caixa da laranja subisse e a terra, diante da inflação reinante, acompanhava a subida, em velocidade estratosférica. O preço da terra começo a ser cotada em dólar. No princípio a 6.000 dólares o alqueire (hoje em torno de R$ 24.000,00). Mas o valor do alqueire, nessa nossa região (dependendo da localização e da qualidade da terra), hoje, está em aproximadamente 30.000 dólares (na casa dos R$ 120.000,00). 

   O problema da nossa região, à época, era que nossos pomares, tinham pouca produtividade, em relação aos dos EUA e, a manutenção e recuperação deles, para nós eram anos, ao contrário da Florida, rápidos demais. Daí as incertezas do preço final do produto.

   Mas foram anos de glória para os sitiantes e fazendeiros, até que a cana-de-açúcar chegou para valer.

   As grandes indústrias – tanto a Citrosuco e Cutrale – através de empresas a elas coligadas (dentre outras que apareceram depois), começaram a adquirir terras e, tornaram-se praticamente autossuficientes na produção do fruto, a moagem, transporte e exportação do produto, hoje feito a granel (antes, em tambores). 

   A Aliança Navegação, por exemplo, se confunde com a própria história da navegação comercial brasileira. Foi fundada em 1950 (antes mesmo do início da construção da fábrica da Citrosuco em Matão – em 1964) por Carl Fischer. A empresa operava inicialmente com apenas um navio que transportava frutas entre o Brasil e Argentina. A Citrosuco adquire a sua segunda fábrica em 1976, em Limeira.

   Carl Fischer fez da Aliança à única companhia privada daquela época que realizava o transporte por Cabotagem. Fortalecido pela filosofia de reinvestir seus lucros e modernizar-se constantemente, em 1959, a empresa obteve um crescimento acelerado, atingindo 50% do mercado de bandeira brasileira no transporte de carne resfriada ligando Brasil e Argentina, firmando assim sua presença no Mercosul. 

   Entre 1965 e 1991, a companhia encomendou 30 navios novos. Em 1967, a Aliança passou a atuar também no transporte de Longo Curso que atendia aos portos do Atlântico Europeu. Após 1991, o serviço se expandiu para o mercado americano. Desde 1º de dezembro de 2017, a Hamburg Süd e assim a Aliança pertencem à A.P. Moller – Maersk e com isto, parte de líder do mercado global.

Como visto, o pequeno produtor rural, fascinado pelo peço da caixa de laranja e pelo valor de suas terras, imaginou ter uma fonte inesgotável de riqueza (o dinheiro – absolutamente finito). 

   Era comum a venda de terras para aplicações financeiras, algo que se julgava extremamente lucrativo, diante da incerteza do valor da caixa de laranja, que se mostrou o empobrecimento de muitos, posto que os golpes de vários planos econômicos brasileiros, juntados a inflação galopante, os deixou à mercê dos aproveitadores de plantão.

Juntou-se assim a força das grandes indústrias que passaram a dominar, completamente o mercado, sem qualquer chance para o pobre produtor rural.      A coisa era “briga de cachorro grande”.

    O agricultor brasileiro, durante todos esses anos, manteve firmemente a balança comercial brasileira; deu sustentação à economia. São sofredores de plantão, que vivem numa renovação constante da tecnologia e, especialmente do fator climático (ainda que ocorra a irrigação – que é complexa e precisa de autorização de órgãos governamentais). 

Hoje em dia, são poucas as terras que insistem na citricultura; terras de pessoas valentes e que gostam da atividade. Mas não é coisa para principiantes. É para quem está na lida, já faz tempo. Iniciar o plantio de laranjal ou de outras frutas cítricas, no atual estágio, salvo engano, é dar um pulo no escuro, sem vendas nos olhos.

   Aos nossos Citricultores, tantos o que já foram, como os insistentes na atividade, meus parabéns pela seu Dia. A citricultura tem e teve papel importante no desenvolvimento dessa nossa região e, infelizmente, poucos souberam aproveitar. Lamentavelmente ficaram nas mãos das grandes indústrias e dos juros escorchantes do nosso sistema financeiro.

   Desejo dias muito melhores para todos que vivem da atividade citrícola. 

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