Ibitinga, Domingo, 25 de Outubro de 2020
Maria Júlia Dametto
Religiosidade e cotidiano
*MINHA MÃE *

Faz dezenove anos que não a vejo, não me ouço falando “mãe “, mas como não me lembrar daquela mulher elegante, discreta e de uma educação sem igual?

   Não era muito de abraçar e beijar seus sete filhos (como era o costume de então): dois homens e cinco mulheres.

Entretanto nos passou muitas lições de comportamento, obediência, responsabilidade e muito, muito amor!

  Sempre preocupada em agradar meu pai, usava as roupas, sapatos e bolsas que ele lhe comprava. Seu nome: Leontina Marciano Dameto.

   De origem humilde, da roça mesmo, sempre dizia amar e colher o campo de “bolas” de algodão .

   Parecia (só aparentemente) frágil, mas era uma leoa defendendo sua cria!

    Como éramos muitos, dividia as tarefas com minha avó Ema (mãe de meu pai) e uma companheira e auxiliar, que também se chamava Leontina e os filhos e filhas.

   Era um tal de tirar água do poço, cortar lenha, debulhar milho  para tratar dos porcos e cortar cana para o gado. Sempre pedia ajuda e aí... se ela não viesse...  lá vinha ela com varinhas de marmelo açoitar “minhas pernas de sabiá”.

   Aliás, esse aspecto de colocar apelidos nos filhos, quando não conseguia o que queria, hoje me faz ver sua veia humorística: “maurona do pepino”, tiziu, etc.

Logo depois dos quatro anos de Ensino Fundamental, meus dois irmãos ficaram internados no Colégio Diocesano de São Carlos. As cinco ficamos com nossos pais ,estudando e ajudando na lida diária! (Que ninguém saiba, eu apanhei muitas vezes por não querer fazer os trabalhos domésticos: gostava de estudar e, se fosse obrigada a fazer o que não queria, cantarolava, arrastava os pés e......pernas prá que te quero.............porque, atrás de mim, lá vinha uma varinha careca querendo me dar uma sova!

Devia ser cruel para ela, educar cinco meninas  e suportar a saudade do meninos, lá...em São Carlos. Quantas cartas ela escrevia para eles e eu as levava ao Correio  com lágrimas derramadas naqueles escritos e até um dinheirinho para se comprar algo fora do usual.

  Que fidelidade ao seu companheiro! Sempre ele em primeiro lugar.

  Como meu pai viajava durante a semana, ela sempre nos pedia que fôssemos sempre vê-lo, para que não se sentisse só.

   O almoço de domingo só era servido se ele já estivesse livre para tal!

  Que saudade da travessa enorme de maionese e do frango ao molho que jamais encontrei alguém que fizesse igual. Só ela tinha o tempero do Amor inimitável!

   Depois que todos casamos, sua casa foi a primeira Escola dos netos!

   Lembro-me de vê-la engatinhando entre as cadeiras, debaixo da mesa da sala de jantar, para brincar com as crianças.

   Era muito amor, atenção, carinho dividido , somado e multiplicado entre as crianças!

  Seu aniversário caia no dia 31 de dezembro e era uma linda comemoração de Réveillon com o show dado pelos filhos e netos com música e representações.

  Hoje, tenho certeza, está no Céu, ao lado de Maria e Jesus, rogando-Lhes que perdoem os pecados de seus entes queridos e os levem para a Mansão Celeste onde nos encontraremos com ela e veremos Jesus, face à face!

  Daí nós lhe pedimos: “Bença, mãe”!

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